Introdução
A série das Leis da Apometria descreve, uma a uma, as regularidades que sustentam o trabalho apométrico. A décima terceira delas trata de um ponto em que muitos tratamentos de desobsessão emperram: a permanência de espíritos em sofrimento no Passado do paciente.
Ela é enunciada por extenso como Lei da influência dos espíritos desencarnados, em sofrimento, vivendo ainda no passado, sobre o presente dos doentes obsidiados. No material didático interno aparece sob um nome mais curto, Lei dos Bolsões de Passado. Os dois nomes designam a mesma lei, e o aluno encontrará ambos.
Contextualização
A Apometria foi fundamentada pelo Dr. José Lacerda de Azevedo (1919-1997), médico, a partir de 1965, com inspiração na Hipnometria do Dr. Luiz Rodrigues (1963). Entre os recursos que ela sistematiza está o deslocamento do espírito no Tempo.
A 9ª Lei estabeleceu esse deslocamento ao Passado por meio de contagem e pulsos energéticos. A 12ª Lei fixou o cuidado obrigatório no retorno.
A 13ª Lei responde à pergunta que nasce dessas duas: se o Passado permanece acessível, o que acontece quando espíritos ficaram estacionados nele?
Importância da Lei
A resposta tem consequência clínica direta. Ela explica por que um tratamento de desobsessão conduzido apenas no Presente pode produzir alívio e, ainda assim, não se sustentar. Sem essa chave, o operador tende a repetir indefinidamente a mesma sessão sobre um quadro que não se resolve, atribuindo à técnica uma falha que é, na verdade, de alcance.
Lei dos Bolsões de Passado na Apometria
Enunciado da Lei
"Enquanto houver espíritos em sofrimento no Passado de um obsediado, tratamentos de desobsessão não alcançarão pleno êxito."
O enunciado delimita uma condição em vez de prometer resultado. Enquanto essa condição persistir, o êxito pleno não se dá.
Fundamentos Teóricos
O material didático descreve o mecanismo em termos vibratórios. Espíritos sofredores presos no Passado do paciente emitem vibrações de ódio e de dor, e essas vibrações alcançam o Presente por ressonância. O paciente encarnado permanece, assim, ligado a um ou mais bolsões de encarnações anteriores, cada um deles com espíritos estacionados no Tempo.
O material associa a essa ligação um quadro observável: períodos de melhora seguidos por depressão profunda ou por agitação psicomotora.
O tratamento parcial retira o que está ao redor do paciente no Presente e a melhora aparece. A fonte, porém, continua emitindo do Passado, e a recaída vem. A alternância entre melhora e recaída é o sinal de que um bolsão não foi atendido.
Técnica
A sequência
A técnica prevista para a lei tem três passos, nesta ordem:
- Retirada dos obsessores do Presente. Atende-se primeiro o que está ao redor do paciente aqui e agora. Esse passo limpa o campo imediato e torna legível o que resta.
- Abertura das frequências de encarnações anteriores. Abertas as frequências, os bolsões do Passado tornam-se acessíveis ao atendimento.
- Atendimento dos espíritos de cada bolsão. O atendimento se faz bolsão a bolsão, até que não reste espírito em sofrimento preso ao Passado daquele paciente.
A regra fundamental do atendimento
Cada obsessor se atende uma única vez. Se o atendimento for bem feito, todos são retirados definitivamente num único contato. A regra se justifica pela qualidade do primeiro contato, não pela economia de tempo: o que dispensa um segundo contato é o primeiro ter sido completo.
Comentários e Aplicações
O erro que o material didático nomeia expressamente é deixar obsessores soltos após um breve esclarecimento evangélico. O esclarecimento não encerra o atendimento: os espíritos devem ser encaminhados às Casas de Caridade do astral, onde recebem tratamento.
Solto, o espírito continua em sofrimento e o campo do paciente segue exposto, com a diferença de que o operador já considera o caso resolvido.
Cabe ainda uma observação de coerência entre as leis, e não de procedimento desta. Sempre que o trabalho envolver conduzir espírito incorporado ao Passado, aplicam-se a 9ª Lei, que governa a ida, e a 12ª Lei, que governa a volta, examinada no texto anterior desta série. Vale igualmente, em toda sessão com incorporação, o cuidado com o médium fixado pela 8ª Lei e retomado na 12ª.
A leitura conjunta dessas exigências mostra o que a 13ª Lei pede do operador. Ela não acrescenta uma técnica nova: pede que o tratamento alcance a fonte onde ela está e que nada fique pela metade, nem o obsessor atendido nem o médium que serviu ao trabalho.
Conclusão
A Lei dos Bolsões de Passado desloca o foco do tratamento. O que sustenta a obsessão pode não estar no Presente do paciente, e nesse caso nenhuma insistência sobre o Presente encerrará o quadro. A lei oferece o sinal a observar, a alternância entre melhora e recaída; a sequência a seguir, dos três passos; e a regra do atendimento único, que, se bem feito, retira todos os obsessores definitivamente num único contato, com encaminhamento às Casas de Caridade do astral.
Como em toda a série, o fundamento último não é técnico. A Lei Áurea da Apometria põe o Amor como fundamento de todo esse trabalho e, de resto, de todo trabalho espiritual. Nas palavras do Dr. Lacerda: "Ele é o alicerce. Sempre." Os espíritos que aguardam nos bolsões do Passado são, também eles, doentes a atender.